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História do Patrono
Cronologia

1869 - 2 de outubro - Nasce em Porbandar (Estado de Kathiawar, no norte da Índia), filho de Karamchand e Putlibai.
1876 - O pai, Karamchand, é nomeado juiz e se estabelece em Rajkot.
1877 - Noivado de Gandhi com Kasturbai (as núpcias serão celebradas em 1883).
1885 - Morte de Karamchand Gandhi, o pai.
1888 - Gandhi em Londres, para estudar Direito.
1890 - Morte da mãe, Putlibai.
1891 - Laureado volta à Índia. Exerce advocacia em Bombaim e em Rajkot.
1893 - À 4 de abril, parte para a África do Sul, primeira estada em Durban. Transferência para Pretória.
1894 - Retorno a Durban. Exerce advocacia. Funda o Congresso Indiano de Natal, uma associação que pretende salvaguardar os interesses dos indianos emigrados naquele Estado.
1896 - Passa seis meses na Índia. Ações em favor dos indianos da África do Sul. Encontro com Tilak e com Gokhale, os líderes do Congresso.
1897 - Retorno a Natal com a família. Manifestações dos brancos na África do Sul contra Gandhi.
1899 - Guerra anglo-bôer. Durante seis semanas, Gandhi organiza um corpo de saúde entre os indianos e se oferece como padioleiro voluntário.
1901 - Regresso à Índia. Em dezembro, assiste à Sessão do Congresso. Apresenta uma moção em favor dos indianos da África do Sul.
1902 - Volta à África do Sul.
1903 - Abre um escritório de advocacia em Johannesburg.
1904 - Publica o jornal Indian Opinion.  Funda a colônia de Phoenix.
1906 - Revolta dos zulus. Presta serviço como padioleiro voluntário. Pronuncia o voto de castidade (brahmacharya).
1907 - Ação contra a lei asiática. Organiza a resistência passiva. Cria a palavra Satyagraha. Renuncia à profissão e distribui os seus bens.
1908 - À 10 de janeiro é condenado a dois meses de prisão em Johannesburg. Solto à 30 de janeiro. Fica preso novamente de 15 de outubro a 13 de dezembro.
1909 - Em Londres. Primeira carta a Tolstoi. Em novembro, regresso à África do Sul. Escreve Hind Swaraj.
1910 - Segunda carta a Tolstói e envio de Hind Swaraj. Cria a Fazenda Tolstoi.
1913 - Em outubro, marcha do Natal ao Transvaal. Em 11 de novembro foi condenado à 15 meses de prisão. Livre em 18 de dezembro. Encontro com o Reverendo Andrews.
1914 - Em 30 de junho, acordo Smuts-Gandhi. Aos 18 de julho, partida para Londres. Recrutamento de enfermeiros indianos para a I Guerra Mundial.
1915 - Chegada a Bombaim. Aos 18 de fevereiro, o poeta Tagore o saúda como Mahatma. Em 25 de maio funda o primeiro ashram indiano em Sabarmati, perto de Ahmedabad.
1916 - Viagens e reuniões em toda a Índia.
1917 - Em abril, Satyagraha para o problema das plantações de índigo do Champaran.
1918 - Satyagraha com os operários das fiações de Ahmedabad. Jejum de 3 dias para sustentar os grevistas. Satyagraha no Kerala. Recrutamento de indianos para o exército inglês.
1919 - Aos 28 de fevereiro, juramento de Satyagraha contra as leis Rowlatt. Aos 13 de abril, jejum de 3 dias em penitência, depois de atos de sabotagem. Publica os jornais Young Índia e Navajivan. Aos 17 de outubro, preside a conferência do Califado. Lança a idéia e a expressão da não-cooperação.
1920 - É eleito presidente do partido do "Congresso Nacional Indiano". Boicote da importação de tecidos da Inglaterra. Jejua em solidariedade com os muçulmanos.
1921 - A 1.° de agosto, primeira fogueira de tecidos estrangeiros. Jejua 5 dias para expiar os mortos de Bombaim. Processo. Prisão. Saído do cárcere, deixa o partido e viaja por toda a Índia, sempre de trem e em terceira classe, para animar o povo. (Chegou a fazer 30 comícios numa semana).
1922 - Em 13 de março, prisão. À 18 de março, processo em Ahmedabad, condenação a 6 anos de reclusão. Jejua, pois a multidão fora infiel ao princípio da satyagraha e respondera à polícia com brutalidades.
1923 - Na prisão em Yeravda. Escreve Satyagraha na África do Sul e sua Autobiografia. Lê e fia.
1924 - Operado urgentemente de apendicite. Foi libertado. Em 16 de setembro, 21 dias de jejum, depois dos movimentos hindu-muçulmanos de Kohat.
1925 - Viagens para Índia. Em outubro, fundação da Associação Pan-Indiana de Fiadores.
1926 - Voto de um ano de silêncio político em Sabarmati.
1927 - Viagens, reuniões, fiação e fogueiras de tecidos.
1928 - Nega-se a seguir o "Congresso". Trabalha nas aldeias.
1930 - Aos 30 de janeiro publicação dos 11 pontos da não-cooperação. De 12 de março a 6 de abril marcha 388 quilômetros, de Sabarmati até a praia de Dandi, no Mar Índico, em protesto contra o monopólio britânico de extração e comercialização do sal indiano. à 4 de maio foi encarcerado em Yeravda.
1931 - Aos 25 de janeiro foi solto. À 4 de março acordo Gandhi-Irwin. De 29 de agosto a 5 de dezembro, viagem a Londres para os trabalhos da Mesa-Redonda. Em dezembro, série de conferências em Paris, na Suíça e na Itália. Encontro com Romain Rolland e com Mussolini. Aos 28 de dezembro chega a Bombaim.
1932 - Em setembro inicia na prisão um jejum em defesa dos intocáveis. O jejum põe-no em perigo de vida. Obtém a abolição das listas separadas para os parias. Obtém o livre acesso dos parias aos templos.
1933 - Aos 8 de maio, libertado da prisão de Yeravda. Aos 26 de julho, dissolve o ashram. Estabelece-se em Wardha. Percorre mais de 20.000 quilômetros em visita a milhares de povoações. Funda um novo jornal: Harijan (Filho de Deus).
1934 - Aos 7 de abril, suspende a desobediência civil. Aos 25 de junho, um facínora lança uma bomba contra Gandhi. Aos 26 de outubro, funda a Associação Pan-Indiana das Indústrias de Aldeia. Retira-se do Congresso.
1936 - Funda o segundo ashram em Sevagram. Tendo como ponto central Sevagran,
1938 - Viaja e organiza reuniões pela Índia afora.
1940 - Retoma a luta pela independência.
1941 - Em dezembro, são libertados quase todos os 25.000 presos políticos. Gandhi lança o slogan da independência dos ingleses: Deixem a Índia como patrões.
1942 - Aos 9 de agosto, encarcerado no palácio de Aga Khan, em Poona, e solto dois anos depois por estar gravemente doente (havia jejuado 21 dias pedindo a independência da Índia: ameaça deixar-se morrer de fome na cadeia. Aos 15 de agosto morte do secretário Mahadev Desai.
1943 - Aos 10 de fevereiro, morte de Kasturbal. Aos 6 de maio, Gandhi, adoece e é solto. Fracasso das negociações Gandhi-Jinnah (9 a 26 de junho).
1944 - Ora durante o Ramadam para que haja entendimento com o Islamismo. Faz-se de mediador entre os hindus e os muçulmanos para evitar a divisão da Índia.
1947 - Em 15 de agosto, independência da Índia e criação do Paquistão. Graves violências em Calcutá, entre indianos e muçulmanos. Gandhi jejua e garante que jejuará até à morte, se não terminarem as desordens. Os ânimos acalmam.
1948 - Violentos encontros entre hindus e muçulmanos, em Delhi. Aos 13 de janeiro, Gandhi inicia um jejum de morte. Líderes indianos e paquistaneses empenham-se solenemente, perante Gandhi, na manutenção da paz. Em 20 de janeiro, explode uma bomba perto de Gandhi. Em 30 de janeiro (Gandhi tem 78 anos), vai orar com 500 pessoas e é assassinado por Nathuran Vinayak Godse, um hindu fanático que não aceita seus sentimentos fraternos para com os muçulmanos. Suas últimas palavras foram: He Rama! (Ó meu Deus)

NASCIMENTO

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu a 2 de outubro de 1869 em Porbandar, no Golfo de Oman, na península de Kathiawar. Seus antepassados pertenciam à casta dos comerciantes (vaisya). Acerca de seu avô, Uttamchand, Gandhi escreveu com acentuada admiração, definindo-o como um homem de princípios. Possuía, certamente, uma inteligência aguda e uma habilidade rara, pois, não obstante as obscuras raízes paternas, conseguiu chegar às altas esferas da política local, ao cargo de diwan - primeiro-ministro - do príncipe Rana Khimaji.

PAIS

O pai de Gandhi, Karamchand, chamado Kaba, foi diwan do príncipe Rana Vikranjit. Pelo retrato que dele traçou seu filho, temos a figura de um homem perspicaz, mas de modesto saber escolar.Dotado de inquebrantável energia - característica hereditária dos Gandhi - distinguia-se pela honestidade moral e pelo desinteresse quanto ao dinheiro. Passou sua velhice em honrada pobreza. Suas nobres qualidades mereceram-lhe a admiração do filho: Amava seu clã, era um homem leal, corajoso e generoso. . . Incorruptível, o que lhe valeu a fama de rigorosa imparcialidade, em casa e fora de casa.

Acerca de sua religiosidade o filho escreve: Sua formação religiosa reduzia-se ao mínimo, mas possuía aquela espécie de cultura religiosa a que facilmente acendem tantos hindus que freqüentam os templos e são ouvintes habituais dos sermões. No fim da vida, manifestou forte interesse pelos problemas da fé e da alma. Acerca desses problemas tinha idéias de um sincretismo original: reunia a seu redor pessoas qualificadas, de diferentes tendências religiosas, e incitava-se à discussão, pondo, a seguir, as afirmações em confronto.

Mas, se do pai, o futuro Mahatma herdou a firmeza inexpugnável da vontade e a habilidade e esperteza inatas que sempre acompanharam seu idealismo, o melhor de si deve-o à mãe. A ela dedicou, em seus escritos, um sentimento que beira autêntico culto. Toda a pureza que vedes em mim - disse certa vez - vem-me dela, não de meu pai. Chamava-se Putlibai. Sabemos dela poucas coisas, mas coisas luminosas. Ela, que deu a luz à uma das figuras humanas mais excelsas de todos os tempos e que, com sua obra educadora, lhe plasmou a alma, era analfabeta como a grande maioria das mulheres indianas de sua geração. Possuía, porém, aquela sabedoria que acumulada através, quem sabe, de escutar, refletir e orar. Fazia de sua vida quotidiana um apaixonante e ininterrupto exercício de doação, procurando o sacrifício com uma sede de sofrimento que a levava a consumir-se em duras privações e em jejuns literalmente heróicos. Saía de sua casa apenas para ir ao templo orar, ou para ir à cabeceira dos doentes assistí-los com inesgotável ternura.

Gandhi não teve receio de cair em exaltação extática falando dela: A impressão mais relevante que minha mãe me deixou na memória é uma impressão de santidade. Era profundamente religiosa. . . Fazia os mais severos votos e observava-os sem tergiversar. Nem a doença era desculpa para mitigações. A influência que os pais exerceram na alma do filho foi profunda e indelével.

ESCOLAS DE PORBANDAR

Nas escolas primárias de Porbandar, onde se aprendia a escrever traçando as letras no pó, com o dedo, o pequeno Mohandas teve a primeira ocasião de contactos fora do círculo familiar. Não guardou boas recordações dessas primeiras experiências. Faltavam-lhe aqueles dotes que fazem pressentir um futuro brilhante, e era perro no relacionamento com seus colegas, devido a seu caráter meditativo e arredio. Extremamente tímido, estava-lhe vetada qualquer aproximação.

A primeira descoberta do mundo, teve-a o pequeno Gandhi longe da escola. Foi o encontro com o sofrimento humano, um espetáculo que, na Índia, não é preciso procurar, pois se oferece a cada passo. A alma do menino Mohandas, graças aos exemplos de generosidade e amor da mãe, era particularmente receptiva. Uns versos de Shamal Bhatt, poeta da sua terra, encontravam nele um profundo eco. Sabia-os de cor e costumava cantarolá-los:

Por um copo de água, dá uma refeição abundante; por um aceno de cabeça, inclina-te profundamente; por um punhado de ervas, dá uma moeda de ouro; por quem te salva a vida, não te negues a dá-la; por um benefício, conta dez; paga o mal com o bem em espírito, em palavras e em ações é como ter conquistado o mundo.

Mais tarde Gandhi citava estes versos como um texto de decisiva importância na determinação inicial de sua orientação espiritual. Ele exercitou sobre mim, ainda criança, uma influência formidável, e eu tentei pô-lo em prática.

Terminado o primário, entrou no ginásio. Apoiado por um apaixonante sentido do dever, foi aluno diligentíssimo. Colhia prêmios e bolsas de estudo, e era o primeiro, talvez o único, a admirar-se por isso, pois sempre esteve convencido de possuir uma inteligência apenas medíocre.

Gostava de todas as disciplinas, mas detestava a ginástica e o futebol, pois para ele os exercícios físicos nada tinham a ver com a educação: um erro do qual se retratou quando mais maduro: Agora sei que a educação física deveria ocupar nos programas escolares o mesmo lugar da formação intelectual. Havia lido em certo livro "O elogio do passeio a pé" e dedicava-se a longas marchas, um hábito ao qual sempre se manteve fiel. Foram as caminhadas - escreveu - que me deram os benefícios de uma constituição física bastante sólida. Em 1887 Mohandas superou os exames finais da High School: estava às portas da Universidade, entretanto, um acontecimento importante se havia verificado em sua vida.

CASAMENTO

Seguindo o costume da Índia de então, Gandhi casou cedo. Tinha apenas treze anos. A moça tinha a mesma idade. Chamava-se Kasturbai. Pequena, visivelmente mais baixa que seu não alto marido, com dois olhos cintilantes e melancólicos, foi amada com sinceridade, total e exclusivamente, durante mais de sessenta anos de vida matrimonial. O jovem marido, nos primeiros anos de casamento, nutriu pela mulher um ciúme suspeito, aliado à um afeto que raiava o idílio. Kasturbai, embora sem nervosas recriminações, discutia sem medo e sem submissão de escrava as despóticas imposições de Mohandas, reivindicava a lisura do próprio comportamento, e liquidava com um sorriso e uma brincadeira as insinuações do marido.

Mais tarde, Gandhi maravilha-se da maneira como ela havia sabido resistir com tanta força de alma ao peso de sua louca prepotência. Só uma mulher hindu podia, talvez, suportar tanta coisa. Mas foi graças a isso que mais tarde vi na mulher a encarnação da tolerância. Kasturbai foi, durante toda a sua vida, a mulher ideal que, dividindo com o marido alegria e dores, se constituiu em apoio e ajuda incomparável. De seu casamento nasceram quatro filhos.

UNIVERSIDADE DE LONDRES

Em 1888, com dezoito anos e meio e após ter superado sérias dificuldades e fortíssimas oposições, Gandhi partia para a Inglaterra, para freqüentar a Faculdade de Direito na Universidade de Londres. As dúvidas da mãe Putlibai, que temia especialmente pela alma do filho, foram desfeitas totalmente por Mohandas, que fez solene promessa de se conservar fiel aos preceitos da própria religião. Não acreditas em mim? Não minto. Juro que não tocarei em bebidas alcoólicas, que não tocarei em carne, que não tocarei em mulheres. O futuro demonstrou que ele sabia ser fiel a seus juramentos, mesmo à custa de graves dificuldades.

Nos primeiros tempos de sua permanência em Londres sentiu-se perdido e dominado pela saudade. A timidez, que lhe dificultava as tentativas de aproximação no frio deserto da cidade estrangeira, assumia características de condenação. A Índia, o lar, o rosto dos entes queridos pareciam-lhe um mundo perdido. Pensava incessantemente na minha casa, na minha terra. A lembrança terna de minha mãe era uma obsessão.

De noite as lágrimas corriam-me pelo rosto, e todas as cenas da vida familiar me tornavam o sono impossível. Não tinha com quem repartir meu sofrimento. Tudo para mim era estranho: pessoas, costumes, coisas. Mas, vencidas as primeiras dificuldades, o jovem estudante conseguiu adaptar-se muito bem. Travou muitas amizades, conheceu pessoas de valor, entrou em círculos intelectuais de díspares tendências. Mas dedicou-se sobretudo, e com grande coragem, ao estudo das cadeiras de direito.

Nessa ocasião, cresceu nele o desejo de se aprofundar no estudo dos problemas morais e religiosos, tendo como referência direta sua vida pessoal. Foi a partida para aquele altíssimo e inexorável controle da inteligência e da vontade sobre os impulsos físicos, controle que se tornará à nota dominante de sua personalidade. Foi, em outras palavras, o ponto de partida para a construção espiritual de si mesmo - o empenho-mor de sua vida. Superou, sem maiores dificuldades, os exames de doutoramento e, aos 10 de junho de 1891, obtinha a inscrição no álbum dos advogados. No dia seguinte, 11, era matriculado no registro da Alta Corte e, no dia 12, como se a terra queimasse debaixo de seus pés, embarcou para a Índia.

A Inglaterra não exerceu sobre ele particulares influências. As reações superaram as assimilações. Londres restituía à Índia, sob um manto de ocidentalismo, um indiano mais límpido e ortodoxo do que o havia recebido.

ÁFRICA DO SUL

Na Índia, Gandhi entregou-se à carreira forense, mas com escassos sucessos. Dois anos depois, exatamente nos fins de maio de 1893, uma companhia comercial de Porbandar ofereceu-lhe ida para a África do Sul: deveria acompanhar uma difícil causa civil. Não deixou escapar a ocasião. Era de um ano o compromisso com a firma, mas a defesa de uma causa de bem maiores proporções prendeu-o ao continente africano durante 21 anos.

As condições dos 150.000 indianos que viviam na África do Sul, e as duríssimas experiências sofridas por ele mesmo, deixaram profundas marcas na alma de Gandhi. Embora decidido a não responder o mal com o mal, decidiu, desde então, dedicar sua vida à defesa de seus compatriotas. Em pouco tempo tornou-se o líder. Procurou, antes de mais, atenuar os atritos que as castas provocavam freqüentemente entre si. Esforçou-se por divulgar um espírito que favorecesse a educação e a higiene. Criou uma associação de cultura indiana e fundou o jornal Indian Opinion e, mais tarde, o Young Índia que, espelhando seu pensamento, divulgavam notícias e davam pistas para conduta aos indianos.

Em 1906, por ocasião de uma luta desesperada contra desumanas injustiças perpetradas contra os indianos, Gandhi proclamou, pela primeira vez, o chamado satyagraha, um método de batalha que usaria a vida inteira.

O satyagraha, interpretado habitualmente como "resistência passiva", significa literalmente, como explica o próprio Gandhi, insistência pela verdade. Tal insistência dá, a quem a ela se dedica, incomparável força. Pode ser exercido contra pais, mulher, filho; contra soberanos ou contra os cidadãos de todo o mundo. A força a ser aplicada nunca é física. Não deixa lugar para a violência. A única força com aplicação universal é a força do Ahimsa, do amor.

O amor não queima os outros, queima a si mesmo. Por isso o satyagrahi (aquele que pratica a resistência civil) deve sofrer com alegria até à morte. A fidelidade a seus princípios levou-o a pagar muitas vezes dívidas de pessoas, suportando violências de todo o gênero, prisões e ameaças de morte.

INDIA (1915-1948)

Em 1915, Gandhi regressou definitivamente à Índia. Após os primeiros anos de austeridades religiosas atentas estudos e esforços para compreender claramente os problemas reais de seu País, entregou-se corajosamente àquela tarefa de ação moral e política que viria a dar um vulto inconfundível à Índia, levando-a à independência. Foi assim a trajetória da ação de Gandhi:

Em relação aos problemas internos da Índia, esforçou-se por elevar moral, cultural e civilmente o povo, criando nele a consciência dos direitos e dos deveres de cada pessoa, e trabalhando, sobretudo, para inserir os intocáveis ou parias, que ele chamou com a feliz expressão de "os filhos de Deus", em todos os níveis sociais. No plano externo, mais propriamente político, sua ação mirava criar no povo a consciência de autonomia e da liberdade da Índia em relação à Inglaterra. Conduziu a luta com extrema decisão, mas sempre na fidelidade ao principio da satyagraha, ou seja, da verdade, da não-violência e do amor. Para termos uma idéia do ritmo de seu trabalho, basta pensar nas últimas etapas que levaram à obtenção da independência.

Em 1933 Gandhi estava na cadeia ("os hotéis de Sua Majestade" - assim chamavam as prisões) por ter fomentado a desobediência civil em massa às ordens das autoridades inglesas, responsáveis, em seu entender, por gravíssimas injustiças. Saído da prisão em cinco de maio, para lá era levado de novo no dia 1.° de agosto, por ter organizado a desobediência civil de voluntários escolhidos. Depois de 22 dias foi libertado novamente: havia iniciado um jejum.

Em outubro de 1934, anunciou que se retirava do Congresso Indiano e da atividade política. Mas continuou a controlar, na prática, as atividades do Congresso, por intermédio de seus discípulos. Seu conselho foi quase sempre nos momentos decisivos. Dirigiu sua atividade principal, durante alguns anos, ao problema dos intocáveis e à reconstrução rural.

Durante a segunda guerra mundial, quando o Congresso lhe concedeu plenos poderes para desencadear uma campanha de desobediência civil individual (seis de setembro de 1940), reentrou oficialmente na política. Tendo mudado, porém, a situação com a entrada do Japão na guerra, Gandhi retirou-se em favor de Nehru: 30 de dezembro de 1941.

Em 1942, após a falência das tratativas com a missão Cripps, o Congresso decidiu apresentar um ultimato ao Governo, exigindo a imediata retirada  das autoridades inglesas da Índia. No mesmo dia da decisão (8 de agosto), Gandhi foi preso e posto na cadeia de Poona; não obstante um jejum de 21 dias, ali ficou até 6 de maio de 1944. Foi libertado após um grave ataque de malária, e teve parte importantíssima nas tratativas que começaram em 1945 e terminaram com a proclamação da independência da Índia, em 15 de setembro de 1947.

Causou-lhe uma dor infinita o nascimento dos dois estados - Índia e Paquistão - que aquele ato selou. Sempre lutara pela unidade da Nação, e aspirava pela pacífica convivência entre hindus e muçulmanos. Nos graves conflitos que ocorriam entre os seguidores das duas crenças, sempre fizera obra de paz. Por duas vezes entregou-se a prolongado jejum, pondo em risco sua vida. Sua missão chegara ao fim, e Gandhi sentia interiormente que seu destino o empurrava para o supremo testemunho do amor. A idéia de uma morte violenta sorria-lhe como a mais esfuziante das perspectivas. Não desejo morrer pela paralisia progressiva das minhas faculdades, como um derrotado. A bala de um assassino poderia por fim à minha vida. Acolhê-la-ia com alegria.

MORTE

Em 13 de janeiro de 1948, com 78 anos de idade, Gandhi iniciou seu último jejum. Pretendia, com tal ato, contribuir para por fim ao derrame de sangue entre hindus, muçulmanos e demais grupos. Sua nobre finalidade foi coroada de êxito, mas um ódio louco contra sua obra de paz se havia aninhado na alma de seus compatriotas e correligionários.

Na noite de 30 de janeiro de 1948, uma sexta-feira, o Mahatma era levado por duas jovens, como de costume, ao lugar de oração da capital, Nova Delhi. Quinhentas pessoas esperavam sua chegada em silêncio. Enquanto ele avançava entre a multidão, um homem lhe saltou à frente, de improviso, e, puxando de uma pistola com a velocidade de um raio, disparou duas vezes.

- He, Rama! (Ó meu Deus!) - sussurrou Gandhi. O assassino disparou um terceiro tiro. Gandhi caiu por terra, salpicado de sangue, e expirou invocando o nome de Deus.

O assassino era Nathuram Vinayak Godse, um brâmane hindu que não aprovava a ação de Gandhi por ela favorecer a convivência e o entendimento entre muçulmanos e hindus.

MENSAGEM

A personalidade de Gandhi é deveras complexa e apaixonante. Ainda vivo, e no pleno vigor de sua atividade, era chamado pelo povo de Mahatma, que quer dizer "grande alma". O nome ficou também após a morte, e passou a ser universalmente usado. Gandhi foi, sem sombra de dúvida, o maior agitador social dos tempos modernos. É o pai da Índia de hoje. É um dos líderes morais maiores e mais seguidos pela humanidade. O segredo de sua grandeza está em sua alma. Há séculos o sábio italiano Pico della Mirandola escreveu:

"Nada é grande na terra, a não ser o homem. Nada é grande no homem, a não ser a mente e a alma." (Astrologia, livro IV, cap. III)

A verdade da afirmação está comprovada na vida e obra de Gandhi: seu sucesso deve ser buscado eminentemente na mente e na alma. Tudo considerou de pequena importância, quando comparado ao empenho de melhorar a si mesmo e de elevar espiritual e socialmente os outros. Mirou sempre, através dos fatos e dos problemas que o envolviam, os valores supremos, eternos, indiscutíveis: Devo confessar que a ação de reforma pessoal, ou autopurificação me está cem vezes mais a peito que a chamada atividade política.

Antes, e mais que a liberdade política da Índia, preocupava-o a liberdade interior do homem, entendia como libertação do egoísmo, da avareza, do ódio, do medo, de todas as paixões que reduzem o espírito dos homens à escravidão e conduzem os povos a sangrentas lutas. Gandhi, compreendeu que o mundo contemporâneo caminha para um bívio: o amor ou a destruição. Ele confirmou a possibilidade de uma sociedade nova, mas condicionou sua vida à renovação interior do homem. E atuou neste sentido em seus vastíssimos e multiforme empenho, convencido de que um homem, mesmo só, com o tempo, pode mudar o mundo. Era o único, em campo civil, anunciando e repetindo, com incansável perseverança, e numa época de sofrimento, as verdades básicas da salvação: verdades antigas como as montanhas, mas sempre carregadas de formidável poder revolucionário.
 
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